domingo, 21 de outubro de 2007

SILÊNCIO EM MIM...

Quisera andar por tuas avenidas...
Desbravar teus mistérios e sondar teus medos.
(Quisera ter andado em alguma rua tua.)
(Quisera ter logrado o mérito de alguma sondagem em ti.)
Quisera ver, mesmo que assustado, o teu suar em dia de insatisfação.
Quisera fugir contigo pelos campos sombrios do Mundo e atestar nosso
encontro pelo Mundo que se nos impõe.

Quisera conhecer-te como preciso, como sonhara, como creio conhecer.

Quisera teu sorriso ser sincero, tua boca, verdadeira e teus lábios, meus.

Quisera tua Alma ser de cá, tua Vida Alegre e teu Viver Pleno...
Quisera sentir o que sei sentir sem as oscilações do Hoje, amar-te pleno
e com os desprendimentos que o meu Ser a mim delega.

A Sociedade nos incute um Viver assustado, por medos tantos e
motivos estranhos; somos expectruns num mundo vil que

não nos quer ver que não desalmados e amargos, uma
sociedade infame que assombra a quem amo e assusta o Amor
dos que se convencionam Olhar, olharem-se...

De ti fui afastado, me tiraram a Vida que tivera em tempos ávidos e felizes;
teu sorriso se foi num desiludir infame.
O Mundo me fez calado e amargo pelo doce que perdi; tua música calou-se
em mim; teus metais não me tocam mais.

Amargo estou e, sem paladar, agonizo num entardecer desproposital
que faz minha Vida inquieta num denso ímpeto de solidão que tua alegre
presença deixou.

Tuas idas e vindas, teus sorrisos fáceis, teu olhar torto, tua voz rouca,
teu jeito desencontrado, teu todo tagarelar; muito, muito me fazia bem
e mal estou na falta disso, de ti, Amor meu, ÚNICO...

Vem, vem ver como estou infeliz, como anda silenciosa
essa vida pela falta de ti, pela distância do que lhe foi demasiado
belo e intenso!!!

A inveja nos tirou o direito ao riso, ao canto, à música.

Como os olhos engrandecidos dos de cá me fizeram mal!
Como tenho silenciado meu Amor por ver seu medo, como me tenho
contido pelo bradar dos que se auto intitulam conselheiros teus...

A dor que cá está não estaria infinda se cá estivessem teu sorriso,
tua pouca sensibilidade ou mesmo tua toda transparência.

Te Amo como nunca ousara.
Isto que tenho cá silenciado, cujo nome bendigo, me faz entender que
há mais que voz em minha garganta, há também o entalo de não se
poder gritar o que os olhos não ousam contemplar.

Hei de vencer o descrédito sobre mim lançado pelos grandes olhos dos
que ao meu lado pestanejavam ambiciosos.
Hei de presenciar o medo sucumbir em seu coração de criança
e as janelas de Greta lhes serem escancaradas num convidar digno ao Amor de lá.
Hei de ver-te entender pelo coração e sentirei teu olhar
inquieto pausar silente nas “verdades” requentadas do Hoje.

Hei de sorrir do susto que te assusta cá.

Brindarei o gozo da Justiça pelos anos que viverei.
E, se ao teu lado nunca mais estiver, quero atestar a infame
sorte dos que nos fizerem descrer em nós e em nossa
decantada fantasia.

Nossa Poesia se foi, já não se faz mais refrões,

sua voz se emudeceu, o silêncio predomina em ti e,
do medo que em ti se impõe, teu sorriso se dá tímido
e tua gargalhada, acanhada.

Sem ti, minha sorte amiúda-se, chego a temer minha pequenez,
sinto-me ímpar entre os grandes que amam em grandes desavenças.

Foi sobremaneira triste, o tudo que nunca ouvi de ti.
Foi ademais inquietante, o tudo que descobri sentir.

Os oráculos que o Classicismo relembra me fazem crer que
um dia hei de poder crer em nós, fitar em nós como que
se de porcelana já não fôssemos.
Amar-te-ei para SEMPRE, eis um fato inconteste.
Tiraram-me tua alegria, mas não me tirarão minhas lembranças,
e delas me comprazo na avantajada necessidade de
crer que seremos íntimos naquilo em que não pudemos ser estranhos.

Quisera ver-te brigar por mim, defender-me.
Quisera MUITO, saber o que pensas saber sobre o que penso,
num pensar só.

Vem!
Vem comigo olhar a lua!
Vem à Avenida José Lins do Rêgo trazer o teu enigma aos
desinformados de cá.

Vem!
Vem trazer-me o que antes muito me fazia crer no Amor.
Vem fazer-me entender NOVAMENTE que o Amor é simples, sublime e
necessário.
Vem!
Venha ao lugar seu.
Cá está vazio este coração inquieto pelo que muito os de cá destilam.
Vem Meu amor!
Vem cantar em minha Vida, trazer-me risos, ALEGRIA.

Vem!!!
Vem atestar o quanto AINDA és importante;
vem perpetuar-se num SEMPRE!!!

Te Amo!!!
O que sentes... desafiante se faz e NUNCA me admitirei sem ti.


Marcilon Oliveira.
À Única Pessoa que me fez rir com o coração...



6 comentários:

Léo Marques disse...

Muito bom seu blog.
Gostei, em especial, do texto de abertura escrito por Fernando Pessoa. Me identifiquei muito.
Temos as vezes que ousar uma mudança. Mas toda mudança gera medo, medo pelo imprevisivel. Queria muito não ter medo, mas acho que ele faz parte desse processo de travessia.

lena disse...

EXTREMAMENTE ORIGINAL. GOSTEI!

Walmir disse...

Caro poeta Marcilon, de adorável romantismo, esta reserva sonhadora que derivou da falta platônica e que nenhum Spinoza conseguiu abolir: amor é falta. Se saciado deixará de ser amor, pois deixou de ser falta.
Paz e bem

Marcilon Oliveira disse...

Fernando Pessoa, Amado Léo, é algo indescritível pra mim.

Amo, simplesmente...


Beijo! ^^

Marcilon Oliveira disse...

Obrigado Lena!
Você é muito gentil.

Beijo! ^^

Marcilon Oliveira disse...

Você é fods Walmir!!! ehehehe

Sempre com algo que encaixa, né?

^^


Abraço!