domingo, 5 de agosto de 2007

EXORTAÇÃO BALZAQUIANA CÁ EM MIM.

A mais vaga e remota possibilidade de uma pretensa compreensão ampla e uma definição abrangente sobre a Juventude Moderna, me é, carinhosamente, descartável.

Desvencilho-me de mim, de meus preceitos, das minhas tantas verdades, de minhas adoráveis crenças, de meus nunca conjecturados medos, de todas as minhas protetoras moldagens comportamentais e, via de regra, de minha normalidade e irritação ante o tão provocante e intrigante adolescente em tempos de Orkut.
Olhar e procurar enxergar, me parece – e de modo efetivo o é – tarefa infindavelmente diferencial quando pensamos os aspectos comportamentais do Ser Humano e, de modo peculiar o Jovem Moderno.
Hei de convir que me predispora costumeiramente a observar os jovens ancorado e seguramente atado aos meus tão valiosos e inseparáveis padrões de conduta e procedimento por mim – assustadoramente - intitulados de normais.
Hei de convir ainda, que ousar pensar e agir diferentemente dos meus páreas – aos quais a Psicologia Clássica e a moldagem de papéis sociais empreitada pela Civilização, classifica e/ou enquadra como adultos – seria um equívoco irreparável para a tão bem consolidada e definida moral.
Incomoda-me, outrossim, - e isso me é profundamente embaraçoso – o repensar filosófico sobre minha felicidade e adequação do meu EU lírico no meio ao qual estou disposto.
Inquieto-me frequentemente ante o desempenho de determinados papéis sócio-culturais e até afetivos que me cabe efetivar no mundo dos senhores e das senhoras de requinte e/ou bom senso de ontem e hoje, confesso que esses parecem atemporais...
Ter bom senso, contudo, - e/ou, sobretudo – é não ter senso próprio.
Me deixa desolado e triste o fato de que o meu pensar e o meu agir é pautado em tudo que já está disposto no mundo, ou seja, tenho que proceder de modo a adaptar-me confortavelmente, ao clã de onde provenho.
Sigo as regras desde pequeno; ajusto-me inteligentemente, na condição de bom filho, melhor aluno, dedicado e apaixonado amante/enamorado, seguindo cuidadosamente os requisitos da boa e gentil condição da ação Civilizatória.

Nesse prisma, catei e aqui exponho uma assertiva do grande FLÁVIO GIKOVATE:
“Quando começamos a conceber o mundo enfrentamos o óbvio; as incertezas.
Acabamos seguindo os modelos sugeridos pela própria cultura. Passamos a imitar nossos heróis, “travestindo-nos” de Super-Homens e Mulheres Maravilha.
Assim, encobrimos nossas dúvidas e inseguranças. Elas que sejam reprimidas e enviadas para o porão do inconsciente.”

Minha busca, portanto, parte de mim mesmo.
A utópica crença de que ajustando-nos ao meio seremos mais amados, mais admirados e, portanto mais felizes é, e tem sido o galgar infecundo do tão grande número de corações carentes de afeto e atenção.
Nossa Civilidade salvar-nos-á quando perdermo-nos de nós mesmos.
Fomos produzido, e se nos amam, o fazem a um produto quando, latentemente, há um Homem, uma Mulher, alguém...
Aborrecemo-nos ainda com o riso fácil dos “jovens desocupados” que se nos aparecem nas praças e clubes, incomoda-nos profundamente a irresponsabilidade destes; são intratantemente indelicados, mas confortamo-nos, regozijadamente, com o fato de que também serão, um dia, adultos e, portanto obrigados a terem responsabilidades.

Nesse meu olhar sobre o “riso fácil e alienado” do Jovem, quero incorporar uma pergunta, de uma série, encontrada em uma coletânea de preocupações de adultos sobre os Jovens num texto de Flávio Gikovate. (Revista Claudia/ Fevereiro de 1992.)
“São esses jovens que saem de uma festa e, alcoolizados, vão a toda velocidade para a praia.
Sua imortalidade só é desmentida por um acidente fatal. Aliás, para ser sincero, parece incrível que não haja um maior número de acidentes envolvendo esses descontrolados”

Pensar um maior número de acidentes envolvendo Jovens no Brasil é, deveras, uma prova fatídica de que nós temos, de fato, problemas com o Jovem.

Se há equívocos nas relações interpessoais e choques de gerações e culturas entre Jovens e adultos, talvez nós, adultos e detentores das maiores crenças e convicções sobre tudo, sejamos os mais equivocados, não com os Jovens, mas com nós mesmos.

Vida, concessão do Todo Poderoso e dádiva finita para nós, Seres Humanos aqui na terra. Parece-nos compreensível afirmar que vê-los em seu ápice, esbanjando graça e plenitude, quando nos sentimos traídos pelos anos que nos levaram a beleza, o viço e o brilho na pele e nos olhos, ESSES JOVENS INCOMODAM.
Contemplá-los nos traz uma certa ciumeira ante o que se esvai de nós:
A JUVENTUDE COM TODAS AS SUAS POSSIBILIDADES E PROEZAS.

Não ouso acreditar que todos os adultos trazem dentro de si, um espírito jovem mesmo expressando-se com enrugadas mãos e voz grave.
Nisso, percebemos que nós, de alguma forma, já não somos plenos e nesse determinante condicionamento cíclico da vida, ouso crer que a maioria de nós, adultos, torna-se – ou continua – pedante, ranzinza e ostenta uma couraça cheia de penduricalhos da Velha Guarda que a fortalece ante sua insegurança e insatisfação no conduzir da própria Vida.
Não pretendo, contudo, sacrificarmo-nos em detrimento do louvor e sublimação da Juventude, uma vez que essa em sua essência permeia e inebria a todos, porém, destaco nossa gritante dificuldade e embaraço para associar um Espírito Jovial ao processo natural de envelhecimento da matéria.

Destaco, ademais, que o mundo Capitalista e o pensamento capitalizante baniu da grande maioria de nós essa real possibilidade de desassociação da imagem, da estampa com o conteúdo.

O autor e entusiasmado observador do comportamento da Juventude, WALCYR CARRASCO, confessa em seu livro “O Golpe do Aniversariante e outras Crônicas” /Ática,pág.64.
“Olho para a noite e penso em todos os morcegos punks zunindo por São Paulo.
Ser Adolescente é difícil, mas...que saudade!”

Observamos nas entrelinhas de Carrasco uma determinada associação de um estilo e/ou comportamento para o jovem e outro para o adulto, onde este último torna-se espectador – quase sempre derrotista – do primeiro.
Já não se vê tanto brilho nos adultos e, invertendo-se a ordem, os adultos – pelas circunstâncias – já não brilham tanto.
Largamos, pela acomodação social, todos os nossos encantamentos e peculiaridades que nos caracterizavam quando jovens e, civilizada e complacentemente envelhecemos e morremos – simultaneamente.



Marcilon Oliveira.
.Esta Exortação é dedicada ao meu amigo Escritor e Poeta TON FEITOSA.
.À tudo que pude ser e não soube querer sê-lo...

4 comentários:

ma disse...

Olá amigo muito boa reflexão!!!
Nossos jovens precisam de mais responsabilidades...Precisam saber o que é certo e errado..E entender que para cada ato, existem consequencias e temos que ter responsabilidades p/ assumir...
Parabéns colega!!!
vc é maravilhoso...continui assim nos fazendo refletir...
beijos

Cássio Augusto disse...

Cara... faz tempo que este Blog está de cara nova??? hehe... gostei... vlw!!!

Marcilon Oliveira disse...

Verdade Maria...

Mas essa coisa da responsabilidade às vezes é assustadora...
Não queria NUNCA tornar-me um adulto responsável, vejo isso como um processo mutilante das liberdades.

Beijo! ^^

Marcilon Oliveira disse...

Porra Cássio!
Você achando meu Blog bonito?

Isso sim, é honroso cara!!!


Beijão! ^^