sexta-feira, 13 de julho de 2007

CRÔNICA AO AMOR DE HOJE...

- Pois bem...

Disse-me certo dia um certo homem que não pôde ficar esperando uma garota crescer para casar com ela.
Perguntei-lhe por que não arranjava uma mulher mais madura, uma vez que esse homem apresentava os seus quase quarenta e cinco anos... Disse-me o homem - cujo nome
é Anderson Alves - que sua amada já estaria desesperadamente na casa dos trinta e cinco. Confesso que pouco entendi daquilo.
Ora, se ele reclamava de uma mulher que tem já uma vivência de trinta e cinco anos, o que diria se lhe apresentasse uma de quinze aninhos?
Esse homem me fez refletir pelos próximos dias sobre algo que já havia identificado nas relações de gênero na atualidade, é visível a insatisfação de todos. Parece-me, porém, que não se tem culpados, posso crer que somos todos vítimas, vítimas do que, todavia, eu não saberia especificar.

O desencontro entre as pessoas é algo gritante nesses dias de Globalização, sinto que essas se enclausuram dentro de si mesmas, receosas por se darem, por se entregarem. A insegurança determina e delimita também as proporções de afeto: ama-se mediante circunstâncias, espera-se que o outro seja sempre o protagonista do Amor que esperamos sentir e viver, nos encantamos ainda com o Amor, mas, desejamos fervorosamente que nos amem e que façam declarações cinematográficas por nós - temos Ego demais para Amarmos outrem...

O vazio que preenche as relações modernas entre os adolescentes é algo que me põe triste... Vejo belos rapazes passeando pelas Praças de Itambé, moças de beleza estonteante que nunca se sentiram disputadas com o fervor de um coração apaixonado, jovens alheios do que se perdeu com os tempos de ORKUT...
Sem o conhecimento claro do que, de fato, seja um relacionamento desafiador, onde não se busca unicamente os melhores e mais fúteis prazeres que o outro possa compartilhar, onde o outro é amado mesmo que desvendado, revelado e contrastado com as primeiras impressões estabelecidas antes da convivência.
ESTARRECIDO, lamento por esses que não se permitem conhecer, que não ousam a maior aventuras de todas - o desbravamento da personalidade da pessoa que amamos - foi-me de cortar o coração, perceber que entre os jovens, a mentalidade, ou o modo como se relacionam com o mundo que lhes cerca é algo copiado uns dos outros, os jovens modernos já não desbravam nada que se relacione ao outro, estão centrados sempre em seus próprios desejos - quase sempre bens de aquisição material - ou pelo menos não se dispõem a conquistarem sua leitura própria das coisas em geral.
O Homem de ontem era mais humano, chorava menos mas sentia mais, se expressava pouco mas tinha muito a dizer, vivia em um tempo dificultoso mas em suas vivências havia mais profundidade, não se desbragava por pouco e era mais firme em seus afetos, estudava menos mas conhecia mais, consumia menos mas tinha mais prazer, desconhecia mais todavia refletia mais também.
O Homem que acaba de acabar, este que ficou no século passado, deixa-nos muito com seu silêncio condicionado pelas circunstâncias históricas, esse homem se entendeu melhor enquanto inventou menos, criou menos mas foi mais criativo...
Amo os Homens da Renascença, do Iluminismo, o faço, porque eles o fizeram.
Não obstante estarem atados pelo falso moralismo de suas épocas, desbravaram as fronteiras do sentimento verdadeiro por suas cortesãs, mulheres de casa, moças donzelas, jovens e belos mancebos, aludiram o Amor como sentido maior da existência Humana, e foram, mesmo que impregnados pelos ranços do pecado determinado pela Igreja ao longo dos séculos, bem mais inteiros que estes que comungam comigo diante de uma Mídia não menos hipócrita do que os Abades de outrora...

A felicidade parece invadir a todos, diria que é piegas em tempos de "MALHAÇÃO" mostrar-se triste, solitário ou introspectivo. Esbanja-se beleza, carisma, carícias descoladas, mas no coração já não se toca... Já não se tem intervalo entre a BALADA, A FACUL e os FDS para se olhar nos olhos, para se contemplar uma pessoa e AMÁ-LA, ADORÁ-LA como é o propósito de todo ser enamorado desde o começo dos Tempos.

O tempo parece pouco, as palavras limitadas, mutiladas, os sentimentos atados, os olhares apressados, os corpos belos como nunca, a vida corrida e sem rumo, o prazer cifrado e tarifado, e assim...

O FORRÓ é SAIA RODADA, a bebida é PITÚ, os abdômens, penteados, bijús, batons, chapinhas, bíceps atados, cuecas à mostra, pircers em locais estratégicos fazem das pessoas de meu tempo muito comuns, sem valores individuais.

Ora, se um diamante é valioso porque é raro, esse montante de duplicatas terá algum valor?

Acho que por isso o Sr. Anderson Alves não me pareceu nada triste...

Marcilon Oliveira.
Aos Amores que não tive...

4 comentários:

prof disse...

oi meu querido amigo, que crônicas maravilhosas, dignas de uma pessoa como vce! te admiro muito!

borboleta disse...

Encantada!

Marcilon Oliveira disse...

Admiro muito mais a você, minha Professora LINDA!

Beijo! ^^

Marcilon Oliveira disse...

Desencante-se e venha ao meu bosque...

Beijo! ^^