quinta-feira, 2 de julho de 2009

EXORTAÇÃO AOS ENAMORADOS

Chove.

Sob um telhado barulhento, dorme-acorda um homem amante.
Ali, no recanto quente de uma cama fria, ele fecha os mesmos
olhos que viveram atentos e alertas ao engodo de um outro...

Sobre si tem, além das roupas de cama, o enfado da mesmice
que assolara aos Homens do seu tempo e dos quais se fizera rodear.

Ainda ali, com os lábios risonhos de sempre, ele chora...

Escondido muito mais de si do que dos outros - é de um outro que
ele foge, de um outro nele - esse homem pensa...

Esse homem-metade grita num pranto que verte a água

morna de um ontem...
Ele, porém, está gélido tal qual seu coração minguante.

A maldade chegara à sua porta.
Educadamente batera palmas e entrara pelas vias da boa vontade.
Entronara-se ali - no seu coração zeloso - um outro de ganância
e falácia equânimes, banindo dali a crença.

O homem que vejo treme, isolado num recanto... desencantado.

Esse homem não cita palavras graciosas, não anuncia as bem
aventuranças que outrora proferia, ele está mudo, mudo de si,
esse homem só vê ao passo em que descrê, descrê das muitas
possibilidades viáveis, esse homem vislumbra mudanças...

Não é tristeza o que esse homem sente, é ciência de uma
vivência enganada, e esse silêncio não é vazio; é a constatação
das muitas vagas palavras profanadas por outrem em um tempo outro.

Aquele tremor, o tremor destacado é o medo do passado,
pavor de um passado presente em aprendizados.

O passado o ameaça. Como sabê-lo?

Seus pés estão frios, não pela friagem de uma noite como essa,
mas frios pelo ímpeto de querer fugir de tudo que não viveu;
de fugir de tudo que, verdadeiramente, não viveu...

Esse cantinho da cama, o mais quente existente, é o lugar onde
esse homem está a agradecer e a louvar pelo achado de Hoje.

Esse homem está se preparando para dar passos grandiosos,
esse silêncio é em reverência à sorte que os deuses lhe mandaram.

Um homem que, de tão feliz, aquieta-se.

Escolhe, num mundão fabuloso em que vive, um cantinho seu,
silencioso, e ali ele ri e faz reluzir em si, olhinhos que se
apequenam num murmúrio decente de criança feliz.

Esse homem desencantado está eufórico por poder
rever a bondade dele arrancada. Esse homem está
apavorado pelo medo do acerto concreto...

Sua quietude é divina, e cá está meu protagonista
a espreita da hora de ser feliz, preparando...
Instrumentalizando sua alma para a felicidade nos fatos.

Movimentos, passado, barulho, falas exacerbadas, exageros
do consumo soberbo... Essas coisas ele vai largar para trás;
esse homem está renascendo, renascendo com outro,
num outro.

Venta.

Ele se recolhe mais, encolhe os joelhos até o pescoço,
esse homem não quer espaço; não quer atenção; tampouco cuidados,
ele quer um silêncio reparador, algo que lhe purifique
os ouvidos, o coração, esse homem quer santificar-se
para amar, para AMAR-SE.

O vento vindo gela ao passo em que aquece uma alma desolada
pelos desencontros, e o meu protagonista sorri feliz.

O mundo que o cerca é secundário ao mundo centrado no
homem que vejo.
O homem que vejo está feliz, isoladamente feliz pelo reencontro
consigo e com a essência das coisas saudáveis, esse homem está
pleno em si.

Seu quarto está escuro e ali, só, esse homem está orquestrando
sua meta de ganhar o mundo com o que ora nasce dentro dele...

Vivas ao AMOR que surge!!!


Marcilon Oliveira.

6 comentários:

M@ disse...

Adorei

Este homem está em construção, se descobrindo a cada dia, como vc mesmo diz no seu perfil. Vamos dizer que esteja um pouco meio pertubando com o que vê...Ao mesmo tempo que acredita, chora, sofre, ama e é só assim que construimos e crescemos a cada dia...

Ma...

Ana Cláudia disse...

Marcilon,

Foi mais que um professor foi e será sempre um amigo.

Amei essa crônica e espero que essa seja uma das quais ei de me identificar, tenho certeza que o homem em construção não vai ser apenas um bloguista e sim um perfeito autor que entrará pra minha simples vida literária.

Um beijo, parabéns e sucesso sempre..

Vanderlânia disse...

-Lindo prof. Perfeito! Te amO de mais!!!

Marcilon Oliveira disse...

Obrigado Vandinha!

Beijooo!!!

Marcilon Oliveira disse...

Oww Aninha...


Você será minha eterna preferida...
Sabes disso.

Amo-te MUITO!


Beijo e obrigado pela gentileza. ;p

Marcilon Oliveira disse...

Minha AMADA colega Maria!

Cresço sim a cada dia, graças à Pessoas como você, minha linda!

Quanto a descobrir-me, e/ou, despir-me faz parte de uma busca nata de um Ser que jamais aceitou modelos ou formas pre-determinadas...

Deixe-me viver, VIVENDO!!! :O


Beijooo!!!